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Carnaval e saúde mental: os aspectos positivos e negativos da folia

Publicado em 08/02/2024 - 14:04 Por Cristiane Guimarães
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Créditos da imagem: Divulgação

Já dizia a música: “paz, Carnaval, futebol: não mata, não engorda e não faz mal”. E, de acordo com a psicóloga da Hapvida NotreDame Intermédica, Ivana Teles, as festividades carnavalescas podem, na verdade, fazer muito bem à saúde mental.

“É um período de muita alegria, muita festa e muita curtição, e um ótimo momento em que a gente pode aproveitar para rever parentes distantes, estar próximo dos nossos amigos, das pessoas que a gente ama. É uma época propícia para confraternizar, pois assim conseguimos ter a nossa dopamina (o chamado ‘hormônio da felicidade’) em dia”, conta.

Outro ponto de destaque é a ludicidade proporcionada pelas fantasias, que trazem à tona “alguns elementos que a gente deixa guardado, muitas vezes, por convenção social, mas que esse período permite ser demonstrado com leveza”, explica.

A especialista ainda ressalta que, além da folia, o Carnaval também pode ser aproveitado para descansar e relaxar. “Numa rotina cheia de estresses e responsabilidades, pausas são necessárias”.

Nem tudo o que reluz é glitter

Ivana Teles ressalta, ainda, alguns aspectos que merecem atenção durante o Carnaval, pois podem representar pontos de alerta, como a ansiedade para a chegada da data, como se aquele fosse o único momento de alegria possível. 

“Isso gera o questionamento: qual o estilo de vida que você está levando? Ele depende, necessariamente, de encontrar prazer e divertimento em feriados, fins de semana e férias? Essa análise pode sinalizar um excesso de sobrecarga de trabalho e situações estressantes, fazendo com que esses momentos sejam uma espécie de fuga. Por isso, é importante lembrar que a nossa vida também está dentro da rotina e ela precisa ter equilíbrio”, defende.

A psicóloga alerta para outros tipos de excessos, a exemplo do consumo exagerado de bebidas alcoólicas, de situações que podem colocar a vida em risco ou que podem gerar comportamentos inadequados, como o assédio.

“Muitas mulheres se sentem, muitas vezes, constrangidas, inibidas e, às vezes, até culpadas por algo que não é culpa delas. Porque estavam em determinado local, ou horário da noite, ou usando certo tipo de roupa e pensam: ‘Poxa, a culpa é minha por eu ter passado por isso’. E não é! Então, entender sobre essa dinâmica e pedir ajuda é necessário”.

Não é não!

Segundo dados do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, há um aumento de aproximadamente 20% da violência sexual contra mulheres no Carnaval (MDH, 2019). Isso acontece porque o Brasil ainda é um país marcado pelo machismo, em que a cultura da sexualização ocorre em virtude de parâmetros como roupas e comportamentos. Já de acordo uma pesquisa do Data Popular, em 2016, dos 3,5 mil brasileiros entrevistados, 49% responderam que os conhecidos “bloquinhos” não são lugar para mulher “direita”.

 

“Nesse período, pessoas mal-intencionadas se aproveitam desse momento de alegria, em que a mulher está se divertindo, desopilando, para usar da aproximação corporal e da invasão do limite de outra pessoa com toques, roubo de beijos e abraços e agarrados sem autorização. Isso tudo é assédio. Além disso, ainda tem a situação em que a mulher diz ‘não’ e o abusador ‘não acredita’, insistindo no assédio”, explica Ricardo Mota, diretor de Comunicação Corporativa e Diversidade da Hapvida NotreDame Intermédica.

O executivo ressalta a importância da conscientização para o tema, pois “quando se fala de violência sexual, não se está falando só de mulheres vítimas, mas também de homens assediadores. É uma luta de toda a sociedade”.

Denuncie!

O Canal Delas, criado pela Hapvida NotreDame Intermédica em parceria com a ONG As Justiceiras, é uma plataforma na qual clientes podem denunciar casos de assédio e violência doméstica. O projeto tem como objetivo suprir a necessidade de canais e sistemas alternativos para combater e prevenir a violência de gênero, e conta com uma força tarefa voluntária de mulheres para oferecer orientação jurídica, psicológica, socioassistencial, médica e rede de apoio e acolhimento.

Para se conectar, basta acessar o link Canal Delas (https://linktr.ee/canaldamulherhapvidandi), disponível 24 horas por dia, sete dias por semana.