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A inflação no mundo

Publicado em 24/06/2022 - 18:47 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: Acervo de Fernando Agra (2022)

               Caros leitores (internautas), após uma breve pausa (desde fevereiro deste ano), volto a publicar mensalmente a coluna "Finanças AGRAdáveis". O artigo de hoje aborda a questão da inflação que acomete o mundo atualmente. O IPCA-15, que é considerado a prévia da inflação oficial brasileira, foi divulgado hoje (24/06/22) e acelerou para 0,69% em junho frente a 0,59% observado em maio. Essa alta generalizada dos preços não é um fenômeno exclusivamente brasileiro nos dias atuais. Europa e os próprios Estados Unidos têm sofrido com a inflação atualmente.

                Com os dados atualizado pelo IPCA-15 de junho, a inflação acumulada em 2022 já chega aos 5,65% (acima do teto da meta que é de 5% para o ano) e aos 12,04% nos últimos 12 meses. Um dos vilões desses resultados de junho foram os aumentos dos planos de saúde, mas é bem verdade que todos os grupos medidos apresentaram aumentos nos preços, ou seja, a inflação continua alta e disseminada pela economia como um todo.

                Entretanto, vele ressaltar que o mundo tem sofrido com a alta de preços, de um modo geral. E a preocupação com a inflação vem crescendo desde que a economia foi retomando gradativamente as atividades após os períodos de lockdown (fechamento) ocasionado pela pandemia da Covid-19. As decisões de fechamento das atividades empresas são muito mais rápidas do que a retomada da produção. Por isso, a oferta não acompanhou de imediato a demanda e os preços começaram a subir. E para agravar ainda mais a situação, a produção de petróleo no mundo não voltou a aumentar em relação aos níveis pré-pandemia, o que já contribuía para aumentos nos preços do petróleo no mercado internacional, que foram ampliados com os efeitos da Guerra na Ucrânia (destruição de parques produtivos, sanções internacionais à Rússia etc.). Rússia e Ucrânia têm importantes participações no mercado internacional de trigo, milho, cevada, óleo de girassol, petróleo e seus derivados, entre outras commodities. A guerra contribui para o aumento dos preços das commodities agrícolas e metálicas no mundo.

                A taxa anual de inflação nos Estados Unidos ultrapassou 8,5% nos últimos 12 meses e é a maior em 40 anos (imaginem o impacto disso na vida dos cidadãos estadunidenses, que sempre foram acostumados com a estabilidade de preços!). A Europa tem apresentado a inflação mais alta desde que a moeda Euro foi implementada no início dos anos 2000. Aqui no Brasil, além de todos esses fatores, ainda temos problemas climáticos agravados pela crise hídrica no ano passado e a instabilidade política, sobretudo nesse ano de eleição que tem contribuído para alta da taxa de câmbio. E com o dólar mais alto há um estímulo aos produtores locais a exportarem e com isso diminuem a oferta para o mercado interno, contribuindo para a alta dos preços. Além do que o dólar alto torna as importações mais caras.

                Infelizmente, o mundo passa por uma “tempestade perfeita” e enquanto a produção de petróleo não aumentar e a Guerra na Ucrânia continuar, todo o planeta sofrerá com a inflação mais alta (uns países mais e outro menos), mas que prejudica principalmente as classes mais pobres, pois possuem uma maior propensão a consumir da renda disponível (gastam maior parcela, senão toda a renda com consumo de itens necessários à sobrevivência da família). E pior, alguns países do mundo ainda poderão sofrer com o desabastecimento e com a fome.

Obs. No final do artigo que publiquei em fevereiro fiquei de dar continuidade. Em julho darei sequência ao prometido e escreverei sobre a questão da cobrança dos 10% pelos serviços nos restaurantes.

Tags: IPCA-15, Inflação.
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG) e Professor de Educação Financeira do Colégio Machado Sobrinho.

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