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Como ficará a Economia em 2023?

Publicado em 19/12/2022 - 14:13 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: Acervo de Fernando Agra (2022).

                  O ano está terminando e é hora de se fazer uma breve análise da economia brasileira e traçar algumas expectativas, com base no Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, de como será o comportamento das principais variáveis macroeconômicas para 2023 (inflação, PIB, taxa Selic, endividamento do setor público etc.) e como essas afetam o dia a dia do cidadão brasileiro.

                Com relação à inflação oficial, parametrizada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculada pelo IBGE, a expectativa é de que este ano o nível de preços subirá 5,76%. Esse patamar ultrapassará, por mais um ano, a meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3,50%. Inclusive ficará acima também do teto da meta, que é de 5,00% para esse ano. E o IPCA somente não subiu mais por conta da redução de alguns tributos sobre a energia elétrica e os combustíveis, tanto é que o IPCA dos Preços Administrados (que contemplam os serviços que sofrem a influência do Governo) encerrará o ano com uma variação de - 3,63%. O ano de 2022 ainda foi influenciado negativamente por resquícios da pandemia da Covid-19 (que desarranjou algumas cadeias produtivas desde 2020) e da crise hídrica, bem como sofreu os impactos da Guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro e que se arrasta até os dias atuais. Junte-se a todas essas adversidades, o País ainda sofreu com algumas questões climáticas e com a taxa de câmbio depreciada (Dólar ainda continuou alto em relação ao Real), ou seja, é o que se pode dizer de uma “Tempestade Perfeita”, ainda agravada pelas incertezas de eleições majoritárias bastante tumultuadas e acirradas. A expectativa do Banco Central é que o IPCA ainda continue acima do teto da meta em 2023, com projeção de encerrar o próximo ano em 5,17%. Até hoje não se sabe como será o comportamento dos preços dos combustíveis e da energia elétrica já no início de 2023, pois não se sabe, ao certo, se a redução da carga tributária continuará ou voltará aos patamares anteriores à redução. Uma boa notícia é que o preço do barril de petróleo voltou ao nível pré-pandemia (abaixo dos US$ 80,00). E como é sabido, o preço dos combustíveis, pelas regras atuais, é formado pelo preço no mercado internacional e pela taxa de câmbio.

                Com relação ao PIB, este deve crescer 3,05% em 2022. O avanço da vacinação contra a Covid-19 e a diminuição no número de mortes possibilitaram desde o início do ano a ampliação da reabertura da economia, sobretudo de setores como o de serviços, cujas atividades presenciais são fundamentais (é bem verdade que a variante Ômicrom causou muita preocupação em janeiro e fevereiro, com o aumento considerável no número de casos). Esse crescimento da economia promoveu uma redução da taxa de desemprego, que de acordo com o IBGE, está atualmente em 8,7%. Mesmo em queda, ainda pode ser considerada uma taxa alta, pois são cerca de 9 milhões de brasileiros desempregados e parte desses não consegue emprego há mais de dois anos. E quando é levado em conta o número de desalentados (pessoas que desistiram de procuram emprego pelos mais diversos motivos), o número de pessoas que não está trabalhando chega a quase 14 milhões de brasileiros. E as expectativas para 2023 não são nada favoráveis, com projeção de forte desaceleração na economia e com um crescimento estimado do PIB da ordem de apenas 0,79%. Crescimento esse que ainda é influenciado pelas elevadas taxas de juros na economia.

                Com relação à Selic, esta vai encerrar o ano em 13,75% ao ano (vale lembrar que em fevereiro de 2021 estava em 2,00% ao ano). A aceleração da inflação ao longo desses quase dois últimos anos contribuiu para que a Selic atingisse o patamar atual e com expectativa que ainda continue alta em 2023 (11,75% é a projeção atual do Boletim Focus para o final do próximo ano). De acordo com a literatura econômica, juros altos combatem inflação de demanda. Entretanto, no atual cenário, o Brasil vive muito mais uma inflação de custos, agravada pelos fatores apresentados no segundo parágrafo deste artigo. No máximo, uma Selic alta poderia provocar quedas na cotação do Dólar e contribuir para diminuir a inflação no que diz respeitos aos produtos e insumos que o País importa e desestimular (um pouco) as exportações: esses fatores podem ampliar a oferta interna e isso poderia diminuir a pressão no índice geral de preços. Mas o Dólar não caiu (e até subiu nessas últimas semanas) por conta de todo o ambiente de incertezas, agravado por fatores políticos. O que o Brasil precisa, de fato, para promover uma redução de modo sustentado na inflação são: investimentos em infraestrutura; em mais fontes alternativas de energia elétrica; em qualificação da mão de obra desde a base (não adianta promover aumento real do salário mínimo sem aumentos de produtividade, pois isso vai provocar inflação no futuro, seja de demanda ou até mesmo inflação inercial); em ampliação dos modais ferroviários e marítimos, que são bem mais baratos que o atual modal de transporte rodoviário etc. E é importante ressaltar que com Selic muito alta, o País amplia os gastos com os juros da dívida pública e, com isso, diminui a capacidade de investimentos tanto no setor social quanto em infraestrutura.

                E para concluir o artigo, que já está até extenso, o Brasil deve encerrar 2022 com um superávit primário em torno de 1,30% do PIB (desde 2015 o país apresentava déficit primário). O resultado primário do governo é a diferença entre o que ele arrecada e o que ele gasta, exceto com pagamentos de juros da dívida pública. Infelizmente as expectativas para 2023 já apontam um saldo negativo de 1,00%, ou seja, o País voltará a ter déficit primário. Isso é um indicador de que, caso não haja reformas tributária, administrativa e política, é possível que ocorra um aumento da carga tributária já no início de 2023. O País precisa de uma ampla reforma tributária para cobrar mais de quem ganha mais, bem como diminuir uma série de despesas que são desnecessárias. Mas infelizmente a correlação de forças nem sempre é favorável a essas medidas e a população brasileira chega a pagar uma carga tributária da ordem de 30% do PIB. No caso das empresas, ainda existe outro agravante que é a complexidade para gerir o sistema de pagamentos de tributos que implica em contratar setores específicos e isso aumenta os custos de produção e onera o preço final para o consumidor, que paga mais caro.

                Confesso que gostaria de ser mais otimista com relação às expectativas para a economia brasileira em 2023, mas os dados analisados não são muito animadores. Finalizo este artigo conclamando que mesmo assim, cada um de nós possamos continuar dando a nossa parcela de contribuição em busca de um mundo melhor. Não mudaremos o mundo (e nem temos essa pretensão), mas o tornaremos um pouco melhor se formos honestos, respeitarmos as regras básicas para uma boa convivência em sociedade e tivermos empatia. E tudo isso é aflorado nessa época do ano em que se aproxima o Natal. E como disse Jesus Cristo, se fizermos ao próximo o que gostaríamos que fosse feito a nós, realmente teremos um mundo melhor. Mundo esse que começa dentro da nossa casa e se estende a todos os locais que frequentamos (inclusive nos ambientes virtuais propiciados pela tecnologia).

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Tags: PIB, IPCA, Inflação, Superávit Primário, Selic, juros, investimentos, infraestrutura, salário mínimo, câmbio, dólar, Covid, empatia
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG) e Professor de Educação Financeira do Colégio Machado Sobrinho.

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