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Inflação: causas, consequências e o que fazer!

Publicado em 16/06/2021 - 00:09 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: https://stock.adobe.com/pt/images/id/5003677?as_campaign=Freepik&as_content=api&as_audience=404&tduid=526f127963ae93cd4e6b78694ec02510&as_channel=affiliate&as_campclass=redirect&as_source=arvato

         Caro leitor (internauta), hoje vamos abordar a questão da inflação, que tem subido continuamente e prejudica, principalmente, as classes mais pobres.

                Causou-me surpresa (e também à maioria dos especialistas) o IPCA, índice oficial de inflação utilizado pelo Governo, acumulado dos 12 últimos meses, que alcançou 8,06%, de acordo com o IBGE. Macroeconomicamente, inflação corresponde a aumentos contínuos (pelo menos por 3 ou 4 meses seguidos) e generalizado do nível de preços na economia. Essa escalada de preços vem subindo desde o final de 2020. No mais recente Boletim Focus (divulgado pelo Banco Central todas às segundas-feiras), a expectativa do mercado é de que a inflação neste ano termine em 5,81%, acima do teto da meta estabelecida pelos formuladores da política monetária.              

                Inflação prejudica todos, uma vez que corrói o poder de compra. Mas como ressaltei no início, as classes mais pobres são as maiores prejudicadas, uma vez que possuem uma maior propensão a consumir da renda disponível, ou seja, gastam maior parte da sua renda com consumo. E quanto mais pobre, maior é esse percentual com bens e serviços essenciais à subsistência. E quanto mais pobre ainda, maior é o percentual gasto com alimentos. E como todos nós temos observado, cada vez que vamos ao supermercado, itens como: carne, feijão, arroz, óleo de soja, entre outros essenciais, estão muito caros.

Alguns aumentos de preços são explicados pela depreciação cambial (dólar mais alto), que estimula as exportações e ainda torna as importações mais caras; aumento da demanda internacional por alimentos (a China tem importado muito); diminuição de estoques reguladores e também devido a questões climáticas e de entressafra (que são sazonais). Tudo isso combinado diminui a oferta doméstica e segundo a Lei da Oferta e da Procura, os preços sobem. E para piorar as coisas, os preços dos combustíveis também estão em patamar muito elevado e a crise hídrica tem encarecido o preço da nossa energia elétrica, ainda muito dependente desse modelo de geração a partir das hidroelétricas.

                E aí, o que fazer? Confesso que não temos muitas alternativas no curto prazo. As minhas sugestões são: intensificar o combate a todo e qualquer desperdício (essa é uma medida que deve ser adotada sempre, independente de períodos inflacionários); procurar substituir os produtos que estão mais caros (ressalto que é muito difícil substituir produtos como arroz, feijão e óleo); evitar deslocamentos muito curtos e desnecessários de carro; diminuir o tempo no banho (assim iremos economizar água e energia elétrica, o que será bom para o nosso bolso e para o meio ambiente); pesquisar e aproveitar algumas promoções em atacarejos (redes de supermercados que vendem tanto no varejo, quanto no atacado) etc. Enfim, essas são algumas sugestões para o curto prazo, pois não vai adiantar o governo subir a taxa Selic para controlar esse tipo de inflação, que é basicamente de oferta (também chamada de inflação de custos).

Pode ser que com a Selic mais alta, a taxa de câmbio possa sofrer alguma apreciação (dólar cair de preço em relação ao Real) e isso ajudar a evitar novos aumentos dos preços que estão correlacionados com o câmbio. Uma coisa, ou melhor, várias coisas precisam ser feitas. Aliás, já deveriam ter sido feitas há anos ou talvez há décadas: que são os investimentos em infraestrutura: intensificar modelos de geração de energia elétrica a partir de fontes eólicas e solares; ampliar os modais de transportes ferroviários e pluviais (que são mais baratos que o modal rodoviário: lembram da greve dos caminhoneiros?); ampliar investimentos em educação de base e profissionalizante junto com investimentos em tecnologia, de modo a aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro, entre outras medidas que possibilitarão evitar situações como a atual, com preços de bens e serviços nas alturas.

                A partir deste artigo, passarei a escrever quinzenalmente na nossa coluna “Finanças AGRAdáveis”. Abraços e até o próximo artigo.

Tags: Inflação, aumento de preços, IPCA, inflação de custos, propensão a consumir
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG) e Professor de Educação Financeira do Colégio Machado Sobrinho.

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