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Por que tomar café da manhã está muito caro?

Publicado em 27/01/2022 - 00:45 Por Fernando Agra
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Créditos da imagem: Acervo de Fernando Agra.

            O bom e saboroso café da manhã do brasileiro tem ficado muito caro. O preço do café moído subiu 50,24% em 2021. O que explica isso? Quais as perspectivas para 2022?

            Inicialmente é importante ressaltar que a crise econômica que eclodiu no final do primeiro mandato de Dilma Rousseff, em 2014 e se agravou nos anos de 2015 e 2016, com quedas no PIB de quase 4% ao ano naquele biênio fez o País mergulhar numa forte recessão econômica, que durou 14 trimestres seguidos (quase entremos numa Depressão Econômica). Toda essa situação contribuiu para o aumento do desemprego e diminuição da demanda agregada.

Microeconomicamente houve impactos na demanda pelo café moído, que derrubou os preços do produto e desestimulou investimentos no setor.  Uma vez que os impactos na produção dessa cultura ocorrem de 2 a 3 anos após o desequilíbrio entre oferta e demanda, o Brasil colheu uma safra menor em 2019/2020. Só que essa redução na oferta não só aconteceu no mercado doméstico. Grandes produtores de café, como Vietnã, Colômbia e Etiópia também diminuíram a produção. Essa diminuição na oferta global de café pressionou os preços internacionais para cima já em 2020.

O agravamento da pandemia provocou, já a partir de março de 2020, uma maxidepreciação cambial da taxa de câmbio brasileira, ou seja, o dólar disparou em relação ao Real. Era o binômio que os exportadores almejavam: dólar alto e preços elevados internacionalmente estimularam demasiadamente as exportações. Além disso, mudanças de hábitos na população estadunidense, que passou a ficar mais em casa por conta dos lockdowns, aumentaram a demanda por café no país que já era o maior consumidor mundial dessa bebida: Estados Unidos. A China também aumentou a demanda. E vale lembrar que não foi somente a demanda internacional que aumentou em 2020, mas o auxílio emergencial também contribuiu para o aumento da demanda doméstica brasileira. Tudo isso somente contribuiu para mais aumentos nos preços do café, que conforme dito no início do artigo, subiram mais de 50% no ano passado e atingiu a maior cotação dos últimos 25 anos aqui no Brasil.

E o que esperar para 2022? Infelizmente as perspectivas não são nadas otimistas. Com as incertezas de um ano eleitoral bastante tumultuado e com a  explosão de casos da Covid-19 causada pela variante Omicron, o dólar ainda deve se manter num patamar alto e volátil; Ainda temos  os efeitos climáticos adversos na safra 2021/2022 de café. Tudo isso faz com que os produtores ao realizarem a colheita, ampliem os estoques esperando que os preços subam mais ainda para venderem no futuro e ampliarem os seus lucros (esse movimento especulativo contribui para mais aumentos nos preços já no presente).

Além do do café, aumentos nos preços do açúcar cristal em 37,55%, do gás de botijão em 36,99%, do trigo, que ultrapassou a casa dos 20% no ano passado tornaram o café da manhã mais caro em 2021. E para piorar mais ainda, o preço da manteiga subiu 122% nos últimos 6 anos. Em suma, o brasileiro tem gasto mais da sua renda para ferver a água, coar o café, passar a manteiga no pão e comer. É uma situação muito preocupante.

Tags: Aumentos nos preços do café, exportações de café, recessão econômica
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG) e Professor de Educação Financeira do Colégio Machado Sobrinho.

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