Faça login na sua conta!

Ainda não tem uma conta? Cadastre-se agora mesmo!

Mega Colunistas

Colunistas

Posso ficar devendo um centavo?

Publicado em 23/02/2022 - 10:32 Por Fernando Agra
destaque
Créditos da imagem: www.moedascontagem.com.br

            Prezados leitores (internautas), às vezes me deparo com situações sobre inversão de valores na sociedade, ou seja, o que é "correto" parece que está "errado", bem como a recíproca é verdadeira. Você já se deparou com situações assim? O título deste artigo é uma frase que costumo ouvir às vezes que vou ao supermercado (pois há situações que sequer perguntam e não dão o troco correto).

             Uma dessa situações é quando vou ao supermercado e pago a conta em dinheiro. Raramente recebo o troco correto. E pior, na maioria das vezes, o caixa retém alguns centavos meus. Sei que um centavo a mais ou a menos não vai me deixar nem mais rico e nem mais pobre, mas o troco precisa ser dado corretamente e pela legislação, caso o supermercado não tenha um, dois, três ou quatro centavos, ele terá que dar a maior moeda disponível mais próxima do troco correto, que nesse caso seria de 5 centavos. E aí entra uma questão que me intriga bastante, que é o processo de inversão de valores: quando eu exijo o meu troco correto, por menor que seja, percebo que nem sempre sou bem visto pelo supermercado e nem por outras pessoas que também estão na fila do caixa. Já escutei algumas vezes que sou "pão-duro", "miserável", "mão-de vaca", entre outros adjetivos ou também que estou atrasando a fila. E como algumas pessoas andam sempre apressadas, qualquer espera parece perda de tempo.

Por outro lado, nas situações em que não solicitei o troco, parecia que era o “normal”, uma vez que a maioria das pessoas deixam seus centavos para o supermercado (se todos nós deixarmos um centavo em cada compra, quanto um supermercado acumularia ao longo de um dia, um mês e até um ano?). Isso é um verdadeiro processo de inversão de valores, pois o consumidor que exige o troco certo passar a ser o “errado” e o indivíduo que, por vergonha ou por não valorizar o seu dinheiro (por menor que seja), não solicita o troco, passa a ser o “certo”. Para piorar, já passei por situações em que a funcionária de um restaurante arrendou para mais a minha conta, mesmo sabendo que o pagamento iria ser no cartão de crédito (parece que é "normal" ficar com o troco do cliente). Essa situação, se generalizada para outros exemplos da sociedade torna-se preocupante, pois alguns cidadãos não respeitarão as regras básicas de uma boa convivência em sociedade, como observamos o não-uso das máscaras durante a pandemia por pessoas que não têm o mínimo de empatia pelo próximo, numa situação de saúde pública; furar filas; estacionar em locais proibidos (geralmente percebo isso à noite, nos fins de semana, próximo onde moro, pois parece que esses transgressores da lei acreditam na impunidade e/ou que a fiscalização de trânsito não circula nesse horário) etc.

Essa é a primeira parte do que quero discutir sobre inversão de valores. No próximo artigo tratarei de outro exemplo que é sobre a cobrança dos 10% da taxa de serviços pelos restaurantes. Abraços, até o próximo texto e conclamo que cada um de nós possamos fazer a nossa parte em busca de um mundo melhor, com atitudes corretas, por mais simples que elas pareçam, como é o caso de exigir o troco correto, bem como de cumprir os seus deveres de cidadão.


Tags: 1 centavo, inversão de valores, troco
 Fernando Agra Fernando Agra
Finanças Agradáveis

Fernando Antônio Agra Santos é palestrante e consultor nas áreas de Finanças Pessoais (Educação Financeira e Aplicações Financeiras). É Economista pela Universidade Federal de Alagoas e Economista da Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, Professor da Universidade Salgado de Oliveira, Professor Visitante dos MBA´s da UFJF (todas em Juiz de Fora - MG) e Professor de Educação Financeira do Colégio Machado Sobrinho.

Leia também: Benedita (carinhosamente mãe Biu): uma lição de amor!