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Ter estilo NÃO É andar sempre na moda!

Publicado em 21/05/2021 - 20:09 Por Letícia Braga
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Créditos da imagem: Leticia Braga
Eu cresci achando que ter estilo e andar sempre na moda eram exatamente a mesma coisa. E que, por isso mesmo, ter estilo só era possível comprando muito. 

Passei minha adolescência, entre o fim dos anos 90 e início dos 2000, na corrida pra me encaixar nas tendências. Como eu não tinha dinheiro, e o da minha mãe era suado, lembro bem o quanto já tive que esperar pra ter uma peça de roupa, um par de sapatos, uma bolsa ou um acessório da moda. Era só no aniversário e no natal. Ou seja, eu ganhava atrasada e, pouco tempo depois, uma nova tendência surgia no lugar daquela que eu tanto esperei. 

Na vida adulta,  torrei meus primeiros salários em promoções. Eu via mais vantagem em quantidade do que qualidade, perdia peças na primeira lavagem - algumas sem ter usado uma única vez, de tão ruim que era o tecido. Nessa época, as tendências já mudavam no ritmo acelerado da internet, e eu não dava conta da bagunça do meu armário. Era tão difícil me enxergar na maioria das peças que qualquer ocasião era uma boa desculpa para me convencer de comprar roupas novas.

Eu não sabia, mas fui "vítima", por muitos anos, do movimento "fast fashion".  Esse termo representa a moda focada no consumo, alimentando um mercado frenético, que trabalha com a produção de roupas baratas, em larga escala e destinadas ao uso de curto prazo.  E eu digo que fui vítima, porque, assim como a maioria das pessoas, eu nunca tive acesso a formas de consumo de moda diferentes dessa. 

NADANDO CONTRA A MARÉ

Eu não sabia de nada disso quando iniciei um processo íntimo de reflexão sobre meu estilo e a insegurança de me convencer de que tenho um. E ele aconteceu em paralelo com o acesso a um tipo de informação sobre moda que só encontramos nas entrelinhas. Ao mesmo tempo que a curiosidade sobre o tema me fazia começar a pensar fora da caixa, eu percebi que nenhuma tendência nunca foi capaz de refletir minha personalidade e, muito menos, as mudanças internas que o tempo foi provocando em mim. 



Pesquisando um pouco mais, é fácil descobrir que o oposto do "fast fashion" é o "slow fashion". Nesse movimento, que traduzido para o português significa algo como "moda/estilo devagar", todos os envolvidos na produção de uma peça têm a mesma relevância: trabalhadores, comunidades, meio ambiente e consumidores. E, nesse universo, existe um mundo de outros termos e possibilidades de se pensar o consumo de uma forma mais consciente e mais leve.

Mas não vou me estender aqui com tantos argumentos. Não quero que você pense que praticar a moda consciente é algo difícil, e que não vale a pena nadar contra a maré de um mercado cada vez mais acelerado e capitalista. Você pode começar a mudar seus hábitos e se reencontrar com seu estilo com atitudes bem mais simples do que imagina. 

Posso te dar algumas dicas? =)

6 CONSELHOS PRA RESSIGNIFICAR SUA RELAÇÃO COM O CONSUMO DA MODA 

1. Compre em brechós

Já se foi o tempo em que  brechós eram vistos como lugares de roupas feias e que cheiram a mofo. Na verdade, eu nunca entrei em um assim. O imaginário popular fez nascer um preconceito injusto em torno das lojas de produtos usados. Hoje você encontra brechós de todos os tipos possíveis, para todos os gostos e bolsos também. A internet democratizou muito esse tipo de mercado. Um ótimo garimpo de brechó é sinônimo de estilo e bom gosto. E, se você nunca comprou em um, eu te convido a fazer uma experiência e depois me contar o que achou.

2. Lave menos suas roupas

Uma curiosidade sobre lavar menos suas roupas: pesquisas científicas confirmam que a lavagem é responsável por 60-80% do impacto ambiental causado por uma roupa. Além disso, a lavagem recorrente reduz o tempo de vida útil das peças. As vezes a gente põe pra lavar sem nem pensar, não é mesmo?! Reflita mais sobre isso!

3. Organize seu guarda-roupas regularmente

Um armário arrumado é mais eficiente. Se você sabe onde encontrar cada peça, consegue imaginar mais possibilidades de uso e não cai no erro de comprar por impulso. Sem contar a máxima: armário bagunçado, vida bagunçada!



4. Valorize a produção local

Compre dos pequenos estilistas e marcas da sua cidade e do seu estado! O consumo, neste caso, leva em consideração todo o ciclo de vida completo do produto, do design à confecção. Quando você conhece esse ciclo, também se torna parte dele.  Por isso, conheça a origem das roupas que consome.

5. Priorize peças duráveis

Menos quantidade, mais qualidade! Conheça o material das roupas que está comprando. Sabe quais tecidos duram mais? Quais, inclusive, vão fazer bem pra sua saúde? As vezes o investimento financeiro pode ser até maior no momento da compra, mas vale a pena ter uma peça de qualidade no armário. Anos depois e você ainda vai se sentir linda e consciente com ela!

7. Desapega! Faz girar!

Não deixe no armário aquela roupa que você não usa mais. Ela pode fazer outra pessoa bem feliz! Tente ao máximo desapegar de tudo que não expressa seu estilo atual. O desapego de roupas é um processo desafiador, e tem tudo a ver com afeto!



Experimente observar cada peça de roupa com atenção e tentar sentir o que ela transmite. Assim, fica mais fácil decidir o que manter ou descartar. O mundo gira e seu estilo também! 

Gostou do papo de hoje? No meu Instagram (@leticia_braga) tem isso e muito mais. 

Até a próxima, manas <3
Tags: roupa, moda, estilo, moda feminina, afeto
 Letícia Braga Letícia Braga
Moda Com Afeto

Uma jornalista que, nas horas vagas, gosta de dar pitacos sobre roupas e afetos. Uma mulher, se redescobrindo aos 30 anos, e fazendo as pazes com a sua imagem através da moda. Me acompanhe também no Instagram: @leticia_braga.

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